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Tarde difícil

 Estou precisando aprender a respeitar o espaço de tempo que há entre o processo de um trabalho e de outro. O que fazer nesse intervalo? É sofrido chegar num resultado de qualidade, e quando isso acontece surgem muitas indagações em meio a muitos sentimentos de transformação e aprovação. Recentemente fiz um retrato que ficou muito bom. Ficou um bom quadro embora a fidelidade com a realidade não tenha sido grande. Eu passei do ponto nesse quesito. Em dado momento da obra estava super semelhante, mas não considerei que a obra estava acabada e segui em frente. Estou com um sentimento de vazio interior muito grande. Eu preciso me comunicar com os outros, mas não sei como. Eu sei me comunicar com as pessoas, mas desde que houve essa subida nas mortes da pandemia, eu meio que perdi o fio da meada. Minha mãe está mal também, e organizou uma viagem a Campos do Jordão comigo e meu irmão, além da nossa amiga Aninha. Vou ter de parar as feiras do MASP, o Pilates, mas tudo bem. Estou mesmo pre...

Reflexões sobre um desenho antigo

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 Boa noite, dr André, estive agora observando um desenho de 2009 e me transportei para aquela época. Veja: Fico pensando no que me tirou dessa rota, desse caminho. Agora aos poucos o estou retomando. Eu havia concluído uma formação universitária fazia um ano e meio. Estava com um amigo alemão em São Paulo, apaixonado por São Paulo. Fizemos uma exposição juntos num lugar que ficava em frente em frente a um ponto de travestis. Era o ateliê da Vila Buarque. Naquela época eu podia escolher entre o ateliê da Vila Buarque, o apartamento no Itaim e a casa em Ilhabela. Um reizinho endividado no cheque especial do banco. Meu pai me criticava tanto que meu desenho precisava melhorar que comecei a desenhar sobre o tecido. Sobre o gesso branco do tecido. Sem namorada, sem emprego, com dinheiro vindo não sei da onde para comprar materiais, minha mãe ajudando sempre e mais uma vez as artes no centro de minha existência. Essa cena registra a paisagem da casa de meu pai, onde morava. Estou me esfo...

Sobre os efeitos da fase vermelha da pandemia em mim

Me surgiu uma ideia nova. Pintar nas calçadas de São Paulo. A fase vermelha de duas semanas me jogou para casa novamente. E sinto um impulso de sair. Estou com muitas tarefinhas atrasadas da faculdade. E uma obra nova, luminosa, nos trabalhos abstratos está em andamento. Luminosa mesmo, iluminada por baixo. Contudo tem sido difícil ficar em casa. Ao mesmo tempo que dá medo sair na rua. É um sentimento ambíguo que vai tornando vazio meu campo de intenções. Até surgir uma intenção nova. Tenho medo dos riscos de estar nas calçadas. Das importunações. Mas ao mesmo tempo o desejo de realizar um sonho, de ver uma imagem surgindo de situações tão familiares que são as paisagens das ruas da cidade... é fascinante. De repente, tudo é tema. Hoje a tarde rodei de carro pelas ruas de um bairro calmo. Vi muitas paisagens bonitas. Eu divido tudo com a família. Essa intenção, não. Pois provavelmente me dirão: não faça isso. Mas quando verem os primeiros resultados, vão ficar empolgados. Estou precisa...